Embrulha!

Carai!

Julho 24, 2008 · Deixe um Comentário

Lá fui às Noites da Moura Encantada. Visitar os amigos que lá vendem, por um lado, e por outro ver onde partir a tal loiça.

Vim com o coração partido. Logo para ambientar, as colunas debitavam reggae para a populaça. E assim ficou durante a hora e meia que por lá andei. Nenhum artesão com vestes tradicionais. O calção liderava, desde os vendedores aos músicos que às 21:00 faziam teste de som.

A restauração era um balcão com 4 tagines abertas em cima e quatro magníficos micro ondas um pouco mais atrás. Promoção, “VISTESEA“. Nem muppis, nem outdoors, nem posters, nem nada.

Os inevitáveis camelos eram a imagem da decadência criativa. Os pobres andam às voltas com as criancinhas, mas pelo menos isso animava aquela desolação. Metros e metros de terreno às moscas, as tendas compradas o ano passado, nem vê-las (compraram novas, que no comprar é que está o ganho). Vendia-se muita sangria. Todos sabemos que qualquer árabe gosta de beber o seu copito da mesma antes das orações…

E pensar que deixaram o Niaz a sofrer até hoje às duas da tarde com a desculpa de que o material que ele vende é oriental e aquilo é um festival árabe. Perderam as fotografias anexas à inscrição e tentaram sair da embrulhada com este inteligente argumento. Não fosse eu dizer-lhe que fizesse finca pé e não arredasse, e o rapaz estava de volta a Lisboa com todas as despesas e sem ter vendido nada.

Animação de rua, inexistente. Os famosos workshops, zero. O vendedor de água, bola. Artesãos ao vivo, deviam estar no defeso enquanto lá estive. Mas sempre ao som de reggae, claro. 

De resto, dos bons artesãos que faziam com que Cacela a Velha fosse o que foi, encontrei um grupo envergonhado, os únicos trajados, que declaravam unanimes que talvez fosse esta a ultima edição.

Ibn Daraj, grande poeta árabe que nasceste em Cacela e por ti se criou este festival, as minhas desculpas por termos tentado trazer-te de volta.

Sheik Mounir da Mesquita de Lisboa, que no ano passado nos honrou com a sua alegre presença, descontraído com a família, sempre atento, a dirigir as orações, obrigada e “desculpe qualquer coisinha”.

Os membros dos sete corpos diplomáticos presentes no ano passado, idem e desculpem os erros de protocolo de que foram vítimas. Não fomos tidos nem achados.

E chega, estou cansada de tanta incompetência, tanto dinheiro deitado ao lixo, tanta ignorância.

Categorias: Partir a loiça · Uncategorized
Tagged: , , ,